Em algum lugar entre Luang Prabang e Viengtiane me vi imerso na rotina dos moradores de um pequeno vilarejo no qual paramos para descansar, em um momento de inspiracao “the flow”, tentei captar um pouco do que eh viver em condicoes politico/sociais como essas e o fluxo de ideias das pessoas que aqui residem:

Durante toda a sua vida conviveu com as mesmas pessoas, trabalhou na mesma roca, conheceu cada centimetro do mesmo vilarejo, comeu sempre do mesmo arroz colhido nos arredores, se comportou da mesma maneira que seus antepassados, venerou as mesmas divindades, riu das mesmas alegrias e chorou das mesmas tristezas.
Seu mundo se perpetua com os mesmos limites, as fronteiras fisicas e mentais que lhe rodeiam sao transmitidas as novas geracoes dando assim continuidade ao ciclo que lhes foi destinado.
Ambicoes? Sim, aqui elas existem, dentro dos limites invisiveis que a falta de informacao impoe. A casca do ovo dificilmente eh quebrada, o sapateiro, o mecanico e o padeiro continuarao a ser sapateiros, mecanicos e padeiros.
Eh tudo tao simples. De tal maneira que uma tigela e um pedaco de pau se tornam um instrumento musical.
Economia? Politica?Relacoes Internacionais? Tecnologia? Ahh, nao venha com esse papo furado! Trabalho, Familia, vizinhos, religiao e sobrevivencia, essas sao as palavras que constituem seu dicionario.
E o porque disso tudo? O que molda sua realidade e a faz da maneira que a ve? Isso nao interessa, eh assim porque deve ser assim!
De onde vem estes estrangeiros com rostos diferentes e linguas enroladas? Nao importa, que diferenca isso faria??
O sabor do arroz recem preparado, o marasmo do vilarejo nas tardes de um dia qualquer, as risadas em um jogo de cartas entre amigos, o conforto de assistir a novela com a familia saboreando um delicioso copo de vinho de arroz.
Isso eh o que faz da sua vida algo interessante.
Se outra guerra se iniciar hoje, nao se pergunte o porque, apenas lute com todas as suas forcas.
Tirar a venda que lhe cobre os olhos pode ser algo doloroso, nao ouse algo do tipo. Eh melhor viver na escuridao do que ter os olhos queimados pela luz. Luz?? talvez.
Afinal, do que importa a verdade se podemos sorrir na ignorancia? Talvez a resposta para essa pergunta dependa de cada individuo, seja o que for, alguns optam por se libertar e compreender, mas como seria simplesmente nao poder optar?
E ai garato ? Tudo legal, nao ta conseguindo atualizar o blog ne ? Estamos aguardando mais noticias, quando puder manda um e-mail. Abração!